New York, I Love You

A série Master of None chegou a sua 2ª temporada com uma aceitação incrível. Com a proposta de contar a história de Dev (Aziz Ansari), essa produção vai muito além de uma simples narrativa sobre a vida de um ator e comediante e se torna em uma narrativa sobre a vida. O sexto episódio da segunda temporada, intitulado “New York, I Love You”, deixa isso muito claro.

NewYork

Toda grande metrópole possui uma imagem clara associada a ela, essa imagem é tão forte que permeia o senso comum. É assim com Tóquio, é assim com São Paulo e é assim com Nova Iorque. Essa imagem é de fato real, mas retrata apenas uma pequena parte do que cada cidade possui, em seus nuances, em suas particularidades e nos seus entornos. Além do mais, uma cidade é feita por pessoas. Creio que essa frase seja um resumo do que se trata esse episódio. Nessa história escrita por Cord Jefferson, a vida e os conflitos de Dev é deixada um pouco de lado para contar histórias de várias pessoas.

Pessoas

Um detalhe crucial para a narrativa é o fato de que os personagens retratados são, em geral, invisibilizados, principalmente por suas posições profissionais. Na vida corrida de uma grande cidade essas pessoas não são notadas, trata-se das histórias de um porteiro, uma atendente de mercado e um motorista de táxi. Claro, eles não são apenas suas profissões, eles são Eddie (Frank Harts), Maya (Treshelle Edmond)e Samuel (Enock Ntekereze). Pessoas comuns, vivendo suas vidas não tão glamourosas, porém incríveis. Em uma narrativa imersiva, os personagens são apresentados de forma sequencial e muito fluída, impedindo o afastamento do espectador. Além disso, um pequeno detalhe, no segundo ato nos transmite uma sensação de estranheza e logo após de reflexão. Ao retratar Maya, uma garota que possui deficiência auditiva, não existe áudio, colocando o espectador em patamar de igualdade com a personagem. Tudo isso, retratado com um humor leve e real.

A partir da exposição de uma pequena parcela do cotidiano dessas pessoas, é possível compreender muito sobre suas vidas, suas relações pessoais e seu relacionamento com a cidade. Indo desde a interação com o espaço, até a interação com a cidade como um grupo de pessoas. Os personagens são tão reais, tão palpáveis que torna-se fácil colocar-se em seus lugares. Atingindo uma relação tão intimista que chega a ser assustador. Em uma retratação sublime esse episódio tornou-se um dos meus preferidos, um show a parte de uma série que já é um espetáculo.